
Energia solar residencial: retorno e economia em 2026
Quanto uma casa economiza com energia solar em 2026, quanto pesa o Fio B da Lei 14.300 e em quanto tempo o sistema se paga, com a tarifa real e as premissas.
Resumo
A conta inteira de um sistema de 4 kWp em Brasília, com a tarifa homologada pela ANEEL, o Fio B de 2026 a 2028 e o preço médio de mercado. E o que separa um bom projeto de um que demora o dobro para pagar.
Energia solar em casa continua dando retorno rápido em 2026, mesmo com a cobrança do Fio B que a Lei 14.300/2022 trouxe para os sistemas novos. Fizemos a conta com a tarifa residencial homologada pela ANEEL para Brasília, contando o que continua na conta depois do sistema ligado: o Fio B, o custo de disponibilidade e a Contribuição de Iluminação Pública. Um sistema de 4 kWp para uma casa que consome 500 kWh por mês se paga em pouco mais de três anos. Abaixo está a conta inteira, com cada premissa à vista, e o que separa um bom projeto de um que demora o dobro para pagar.
01Quanto uma casa economiza com energia solar em 2026
O exemplo é uma residência atendida pela Neoenergia Brasília, na tarifa convencional B1, com consumo médio de 500 kWh por mês. A tarifa residencial vigente, homologada pela Resolução Homologatória ANEEL nº 3.542/2025, é de R$ 423,92/MWh de TUSD mais R$ 402,80/MWh de TE, ou R$ 0,827 por kWh antes dos tributos. Sem solar, essa casa paga R$ 413 por mês de energia e uso da rede, mais R$ 40,14 de Contribuição de Iluminação Pública (CIP), valor de 2026 para a faixa residencial de 401 a 500 kWh no Distrito Federal (Decreto DF nº 48.115/2025). Total: R$ 454 por mês antes dos tributos.
| Item | Valor do exemplo | Origem |
|---|---|---|
| Consumo da casa | 500 kWh/mês | Premissa do exemplo |
| Potência do sistema | 4 kWp | Dimensionado para o consumo |
| Geração estimada | 509 kWh/mês | 4 kWp × 5,3 h de sol pleno × 0,80 de desempenho × 30 dias |
| Consumo na hora da geração | 30% da geração | Premissa do exemplo |
| Investimento | R$ 12.640 | Valor médio de referência para 4 kWp; a Greener apurou R$ 2,91/Wp (R$ 11.640) em junho de 2026 |
| Ligação | Bifásica a três condutores | Premissa do exemplo; custo de disponibilidade de 50 kWh (REN ANEEL 1.000/2021, art. 291) |
| CIP | R$ 40,14/mês | Decreto DF nº 48.115/2025, faixa residencial de 401 a 500 kWh |
| Tarifa sem tributos | R$ 0,827/kWh | REH ANEEL nº 3.542/2025 |
| Fio B | R$ 133,27/MWh | Componente tarifária da Neoenergia Brasília, dados abertos da ANEEL |
Conta mensal do exemplo, sem tributos. Fontes: REH ANEEL nº 3.542/2025 (tarifa e Fio B da Neoenergia Brasília), Lei 14.300/2022, art. 27, REN ANEEL nº 1.000/2021, art. 291, e Decreto DF nº 48.115/2025 (CIP). Cálculo e figura: Nexo Engenharia.
As 5,3 horas de sol pleno são a premissa que a Nexo usa em Brasília e ficam abaixo da média anual de 5,54 kWh/m² por dia que a base NASA POWER registra para a cidade. O preço do sistema varia conforme os requisitos e as especificações de cada projeto: tipo de telhado e estrutura, distância até o quadro, marca e modelo de módulos e inversor, e adequações na entrada de energia.
Com o sistema ligado, a conta não zera. Em 2026, ela fica em cerca de R$ 109 por mês: R$ 28 de Fio B sobre a energia compensada, R$ 41 do custo de disponibilidade de 50 kWh e R$ 40 de CIP. Sai de R$ 454 para R$ 109, uma economia de R$ 344 por mês.
Foto: Bill Mead, Unsplash.
02O que é o Fio B e quanto ele pesa na conta
Fio B é a parte da tarifa que remunera a rede da distribuidora: os ativos, a depreciação e a operação e manutenção. Até 2022, quem gerava energia em casa compensava a tarifa inteira. A Lei 14.300/2022 manteve essa regra até 2045 só para quem já tinha o sistema ou pediu a conexão até janeiro de 2023 (art. 26). Para os sistemas novos, o art. 27 manda cobrar um percentual do Fio B sobre a energia compensada, que sobe a cada ano:
| Ano | Percentual do Fio B cobrado | Custo na Neoenergia Brasília |
|---|---|---|
| 2026 | 60% | R$ 0,080 por kWh compensado |
| 2027 | 75% | R$ 0,100 por kWh compensado |
| 2028 | 90% | R$ 0,120 por kWh compensado |
| A partir de 2029 | Regra do art. 17, a definir pela ANEEL com diretrizes do CNPE | Ainda não definido |
O detalhe que muda o projeto: o Fio B incide só sobre a energia que vai para a rede e volta como crédito. A energia que a casa consome no mesmo instante em que os módulos geram nunca passa pelo medidor e não paga nada. Por isso, deslocar consumo para o dia, como bomba da piscina, máquina de lavar e aquecimento de água, aumenta a economia.
Esquema sem escala. Fontes: Lei 14.300/2022, art. 27; componente Fio B da REH ANEEL nº 3.542/2025. Figura: Nexo Engenharia.
No exemplo, mesmo em 2028, com 90% do Fio B, cada kWh compensado ainda vale R$ 0,71 contra R$ 0,83 da tarifa cheia. O Fio B reduz o ganho em cerca de 15% e não inviabiliza o investimento.
03Em quanto tempo o sistema se paga
Com as premissas da tabela, a economia é de R$ 4.131 no primeiro ano (2026), R$ 4.048 em 2027 e R$ 3.964 em 2028, já com o aumento do Fio B, o custo de disponibilidade e a CIP. Até o fim de 2028 a casa economiza R$ 12.143. O investimento de R$ 12.640 se paga em cerca de 3 anos e 2 meses, se a economia de 2029 ficar no patamar de 2028; a regra que vale a partir de 2029 ainda será definida pela ANEEL.
A conta é deliberadamente conservadora em quatro pontos e otimista em dois:
- Conservadora: não inclui ICMS, PIS e Cofins, que aumentam o valor de cada kWh economizado; não inclui os reajustes anuais da tarifa; usa irradiação abaixo da média medida; e soma o custo de disponibilidade inteiro à conta com solar, embora a Lei 14.300/2022 (art. 16, § 1º) só aplique o valor mínimo aos sistemas novos quando o consumo medido da rede fica abaixo dele.
- Otimista: não desconta a perda gradual de rendimento dos módulos nem a troca do inversor ao longo da vida útil.
- Pouco sensível à simultaneidade: se a casa não consumisse nada durante o dia e toda a geração passasse pela rede, a economia de 2026 cairia de R$ 344 para cerca de R$ 332 por mês. O retorno muda pouco.
Cada casa tem a sua conta. O que move o resultado é o consumo real dos últimos doze meses, o telhado e o sombreamento, e o preço fechado do sistema.
Foto: Markus Winkler, Unsplash.
04Vantagens além da conta de luz
- 1Crédito que dura cinco anos. O que a casa gera e não consome vira crédito de energia, que pode ser usado por até 60 meses (art. 13 da Lei 14.300/2022). Mês de férias ou de consumo baixo não se perde.
- 2Crédito para outro imóvel. No autoconsumo remoto, a mesma pessoa física pode usar os créditos em outra unidade consumidora no seu nome, desde que atendida pela mesma distribuidora (art. 1º, II).
- 3Menos exposição ao reajuste. A tarifa muda todo ano. Em outubro de 2025, a ANEEL aprovou para a Neoenergia Brasília efeito médio de 11,65%, e a próxima alteração está prevista para 22 de outubro de 2026. Quem gera a própria energia passa a ter reajuste sobre uma parcela muito menor da conta.
05O que define um bom projeto residencial
O preço do kit é a parte mais fácil de comparar e a que menos explica o resultado. O que faz o sistema entregar o que foi vendido é engenharia:
- Dimensionamento pelo histórico. O sistema deve ser calculado sobre os doze meses de consumo da conta, não sobre um mês. Superdimensionar gera crédito que vence em 60 meses sem uso.
- Sombreamento. Chaminé, caixa d'água, árvore e prédio vizinho fazem sombra em horários diferentes ao longo do ano. Um módulo sombreado pode reduzir a produção de toda a série a que está ligado, se o arranjo e o inversor não forem escolhidos para isso.
- Telhado e estrutura. Telha cerâmica, metálica ou laje pedem fixações diferentes, e a vedação precisa ser refeita sem criar infiltração.
- Projeto e homologação. A conexão é pedida à distribuidora com projeto elétrico e responsável técnico com ART registrada no CREA, como exige a Lei 6.496/1977 para obras e serviços de engenharia.
- Comissionamento. Medir as séries, conferir a proteção e registrar a geração inicial é o que permite cobrar garantia depois.
Foto: Rafael Moreno, Unsplash.
06Como a Nexo monta a proposta
A proposta residencial da Nexo separa o preço em três linhas, para o cliente saber o que está pagando:
- 1Kit gerador (módulos e inversor, e a estrutura quando vem no kit), faturado direto do distribuidor para o cliente.
- 2Material elétrico complementar, como cabos, proteções e eletrodutos.
- 3Engenharia e instalação: projeto, ART, homologação na distribuidora, montagem e comissionamento.
O ponto de partida é a conta de luz dos últimos doze meses e uma visita técnica para ver o telhado, a sombra e o quadro elétrico.
Quer saber quanto a sua casa economiza?
Envie a conta de luz dos últimos doze meses. A Nexo faz a visita técnica, dimensiona pelo seu consumo real e entrega a proposta com kit, material e engenharia separados, com projeto e ART registrada no CREA. Peça a sua análise à Nexo.
Perguntas frequentes
Ainda vale a pena instalar energia solar em casa em 2026?
No exemplo calculado com a tarifa residencial da Neoenergia Brasília homologada pela ANEEL, um sistema de 4 kWp de R$ 12.640 para uma casa de 500 kWh por mês reduz a conta de R$ 454 para cerca de R$ 109 e se paga em cerca de 3 anos e 2 meses, já contando o Fio B, o custo de disponibilidade e a Contribuição de Iluminação Pública. O preço varia conforme os requisitos e as especificações do projeto.
O que é o Fio B na energia solar?
É a parcela da tarifa que remunera a rede da distribuidora. Pela Lei 14.300/2022, art. 27, os sistemas conectados depois de janeiro de 2023 pagam um percentual do Fio B sobre a energia compensada: 60% em 2026, 75% em 2027 e 90% em 2028.
A energia que eu consumo durante o dia paga Fio B?
Não. O percentual incide sobre a energia compensada, aquela que vai para a rede e volta como crédito. A energia consumida no mesmo instante da geração não passa pelo medidor e não paga Fio B.
Por quanto tempo vale o crédito de energia solar?
Os créditos de energia expiram em 60 meses após a data do faturamento em que foram gerados, conforme o art. 13 da Lei 14.300/2022.
Posso usar os créditos da minha casa em outro imóvel?
Sim, no autoconsumo remoto, desde que a outra unidade consumidora esteja no seu nome e seja atendida pela mesma distribuidora (Lei 14.300/2022, art. 1º, II).
Fontes
- Lei nº 14.300, de 6 de janeiro de 2022 (arts. 1º, 13, 16, 17, 26 e 27). Consultado em 10/10/2026. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2022/lei/l14300.htm
- ANEEL. Componentes tarifárias 2025 (dados abertos): Neoenergia Brasília, B1 residencial convencional, REH nº 3.542/2025. Consultado em 10/10/2026. https://dadosabertos.aneel.gov.br/dataset/componentes-tarifarias
- ANEEL. Resolução Normativa nº 1.000/2021, art. 291 (custo de disponibilidade). Consultado em 12/10/2026. https://www2.aneel.gov.br/cedoc/ren20211000.html
- Distrito Federal. Decreto nº 48.115, de 30 de dezembro de 2025 (CIP 2026). Consultado em 12/10/2026. https://www.sinj.df.gov.br/sinj/Norma/4859c00b6a0d42c9a434cfb7ae370012/Decreto_48115_30_12_2025.html
- ANEEL. Índices de reajuste da Neoenergia Brasília e EDP SP recebem ajuste, 21/10/2025. https://www.gov.br/aneel/pt-br/assuntos/noticias/2025/indices-de-reajuste-da-neoenergia-brasilia-e-edp-sp-recebem-ajuste
- pv magazine Brasil. Sistemas fotovoltaicos ficam até 7% mais caros no 1º semestre de 2026, aponta Greener, 25/09/2026. http://www.pv-magazine-brasil.com/2026/09/25/sistemas-fotovoltaicos-ficam-ate-7-mais-caros-no-1o-semestre-de-2026-aponta-greener/
- NASA POWER. Climatologia de irradiação global horizontal, Brasília (lat -15,79; lon -47,88). Consultado em 10/10/2026. https://power.larc.nasa.gov/

Escrito por
Vladimir França
Sócio-Diretor de Engenharia




